Transtorno do Espectro Autista (TEA) não é doença e pessoas autistas lutam por inclusão

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma tema bastante discutido nos dias atuais. pessoas com TEA convivem, diariamente, com diversas barreiras e com o preconceito.

Não é uma doença, mas sim uma série de alterações no desenvolvimento neurológico. Trata-se de um distúrbio descrito como desenvolvimento atípico, manifestações comportamentais, dificuldades na interação social e na comunicação. Também se caracteriza por comportamentos repetitivos e estereotipados.

Normalmente, o TEA é descoberto pelos familiares logo na infância (entre os 2 e 3 anos de idade) e acompanha o indivíduo por toda a vida. Até pouco tempo, o autismo era considerado uma condição rara, que atingia uma em cada 2 mil crianças. Porém, um estudo do Centro de Controle de Doenças e Prevenção (Centers for Disease Control and Prevention, CDC) publicado em 2021 indica que uma em cada 44 crianças aos 8 anos de idade nos Estados Unidos é diagnosticada com o Transtorno do Espectro Autista. No Brasil ainda não há um número de prevalência de autistas, mas estima-se que o país tenha cerca de 4,84 milhões de pessoas com a condição, equivalente a 2,3% da população brasileira.

Segundo a ciência, o autismo pode ter diversas causas para o surgimento, como fatores genéticos, biológicos e ambientais.

Tipos de autismo e suas classificações

O autismo clássico e mais comum pode ter vários graus de comprometimento. As principais características observadas nesse tipo são indivíduos “voltados para si mesmos”. Eles não costumam estabelecer contato visual com as pessoas nem com o ambiente, apresentam dificuldades na compreensão e na comunicação, tendo problemas em fazer pedidos usando a linguagem.

Na fase infantil, em casos médios, é comum ver crianças isoladas, que não demonstram qualquer contato interpessoal, apresentam falta de contato com os olhos e comportamentos repetitivos como bater e balançar as mãos e os pés. Nos casos mais graves, por volta dos 2 aos 4 anos de idade, a criança passa a perder as habilidades intelectuais, linguísticas e sociais sem conseguir recuperá-las.

O autismo de alto desempenho, mais conhecido como Síndrome de Asperger, é considerado a forma mais leve entre os tipos de autismo. Eles apresentam as mesmas dificuldades de outros autistas, porém de maneira reduzida. Podem ter uma inteligência bastante superior à média e ser confundidos com gênios. Essa condição é três vezes mais comum entre meninos do que em meninas. Quanto menor a dificuldade de interação social, mais eles conseguem levar uma vida próxima à normal.

Há também o Distúrbio Global do Desenvolvimento Sem Outra Especificação (DGD-SOE). Nesta classificação, os indivíduos são considerados dentro do espectro do autismo, mas os sintomas não são suficientes para colocá-los em nenhuma das categorias específicas do transtorno, resultando em um diagnóstico muito mais difícil.

Esses indivíduos, em todo o mundo, são frequentemente sujeitos à estigmatização, discriminação e violações de direitos humanos.

Hoje em dia há diversas políticas publicas que buscam garantir os direitos dessas pessoas, como por exemplo a Lei Federal n° 12.764 de 2012, conhecida como Lei Berenice Piana, determina que pessoas com TEA são consideradas, para todos os efeitos legais, pessoas com deficiência. Há também a Lei n° 13.977 de 2022, conhecida como a Lei Romeo Mion, que cria a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea).

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